Toda vez que a gente vai para alguma cidade diferente para passear, sempre rola de dar aquela checada nessas listas de “X coisas para se conhecer quando estiver na cidade tal”. É batata.
O mesmo, claro, acontece em Dublin: e quem figura na listinha dos top queridinhos para visitar é o Trinity College Dublin, a universidade da cidade.
Justiça seja feita: a universidade merece. E parte da razão é pela sua história e seus estudantes: ela foi fundada pela Rainha Elizabeth (não essa, mas a primeira, aquela poderosa lá em 1592), que achava que era preciso dar melhores estruturas de educação aos seus súditos na “bárbara Irlanda” – vale dizer que, nesta época, a Irlanda ainda fazia parte do Reino Unido e estava sob as regras da coroa inglesa. Como muitos filhos dos nobres favoráveis à Rainha que moravam na Irlanda tinham que ir a Paris ou a outras cidades na Europa para receberem educação superior, Dona Beth teve a iniciativa de criar a universidade ali para parar com isso.
E aí, nascia a primeira universidade da Irlanda, e a melhor até hoje.
Só que, infelizmente, não era para todo mundo: apenas homens e protestantes podiam ingressar na universidade na época, agravando ainda mais o racha de religiões que tinha na época (em que ingleses eram protestantes e irlandeses são católicos até hoje). 🙁
Ah, vale dizer que o Trinity College já teve entre seus estudantes o escritor Samuel Beckett e por Oscar Wilde, antes do autor seguir para viver na Inglaterra.
Mas tem dois motivos, bem mais importantes, para você visitar a Trinity College – e um deles, ainda este ano.
O primeiro é esse: a Old Library.
Ela é uma das atrações da biblioteca da Trinity College, que é a maior da Irlanda, com mais de 4 milhões e meio de livros. Só que a Old Library é parte deste segmento, já que foi construída no século XVIII e continua tão imponente quanto na época da sua construção.
E é só chegar nela que fica difícil conter o “ooooohhh” de admiração – ela impressiona, muito.
Hoje, porém, ela não é uma biblioteca do tipo que você vai lá e tira um livro da estante para ler: sua proposta, hoje, é ser uma espécia de museu, de onde vemos de pertinho seus corredores cheios de livros antigos – são 200.000 mil exemplares de livros antigos originais, que ainda são guardados em suas capas de madeira. Não é coisa de sair folheando.
Mas vamos explicar como é a visita, como um todo, né?
Ela começa num dos acessos pela praça da Trinity College, e é paga, ao contrário do acesso à universidade, que é de graça.
A visita começa e acaba na lojinha, onde a gente compra o ticket que dá acesso à exposição.
Porque, além a Old Library, quem está ali também é o Livro de Kells, que foi escrito, acredita-se, lá pelos anos 800, e é um dos mais antigos originais do mundo. Foi escrito em pele de bezerro (tadinhos!!!) e também é ricamente trabalhado, com ilustrações – também acredita-se que foi o primeiro livro da história a usar ilustrações nas suas páginas.
E até chegar a ele, há uma pequena exposição mostrando algumas das ilustrações do livro e dando informações importantes sobre a época histórica em que ele foi escrito: uma Irlanda ainda sob forte influência dos antigos vikings.
Aqui nesta sala, aliás, é proibido tirar fotos – e eu só fui saber disso depois de levar uma bronca nada agradável do segurança. Paciência, agora – pelo menos eu já tinha esta foto! 😛
O livro de Kells é exibido numa sala ao fundo, totalmente protegido por um suporte de vidro e com fotos expressamente proibidas – tem um segurança a todo momento.
As ilustrações e tintas estão intactas, ainda – e embora não dê para entender do que se lê, é de se admirar com a preservação de um trabalho tão antigo!
E que continua assim, bonitinho, graças a um intenso trabalho de preservação: o Livro de Kells, na prática, tem 4 volumes, que pertencem todos à biblioteca e que somente alguns deles são exibidos, sendo trocados de tempos em tempos.
Mas, se você curtir o livro, for apaixonado por história celta e quiser levar uma cópia dele para casa (que, prometo, não será impressa em pele de bezerro e cuja edição vai ser beeeeeeeeeeeeeem mais recente), pode comprar na lojinha da Old Library, exatamente onde você entrar. Só tem um preço meio salgadinho – veja aqui.
E dali do Livro de Kells, uma escadinha leva até a Old Library, a bonitona lá de cima. 🙂

Mas veja você: eu disse que tinha mais um motivo para você visitar a Trinity College ainda este ano, né?
Pois então: é que a Old Library oferece, além da exposição permanente do Livro de Kells, alguns outros livros e outras exposições temporárias. E a que está rolando lá dentro até o final deste ano é a história de Brian Boru e dos 1.000 anos da batalha de Clontarf.
E porque isso é tão legal: porque dá uma contextualizada bacana na história antiga da Irlanda, que é cheia de batalhas medievais bem sangrentas (que faz Game of Thrones parecer história de criancinha) e que deram origem, de certa forma, ao que se tornou a Irlanda hoje.
Até porque essa parte medieval da história é meio complicada mesmo de entender: mas basicamente lá no final dos anos 900 tinha um camarada chamado Brian Boru que se tornou líder e rei da Irlanda Medieval (que vivia assolada por diversas invasões e matanças de todos os lados, especialmente dos vikings). Ele fundou diversos tributos que ajudaram a reconstruir mosteiros e outras construções destruídas pelos invasores. Acredita-se que ele foi o grande líder que manteve o país todo unido.
Só que os vikings e seus inimigos não gostaram disso e prepararam uma grande batalha, a tal batalha de Clontarf (região próxima à Dublin) que aconteceu na semana santa do ano de 1014 – e, portanto, há exatos mil anos atrás. A tal batalha durou da manhã até a noite, e foi absurdamente sangrenta: acredita-se que 10 mil pessoas morreram, incluindo o filho, o neto e o próprio Brian Boru. Mesmo com tanta morte, o lado de Brian Boru foi considerado vencedor, porque os vikings perderam a influência no país e é tido como herói nacional até hoje.
Para celebrar o aniversário, a história está contada – lindamente, aliás – em desenhos bacanérrimos expostos nas paredes da Old Library. 🙂
Além, é claro, de outras exposições em toda a cidade, celebrando os 1.000 anos.
Bacana, né? E eu entrando feliz em uma universidade depois de tanto tempo – nos últimos anos de faculdade eu ia quase arrastada para a minha! 🙂
Informações Práticas
Valor: € 10 (Mas você pode comprar os ingressos já em reais, sem fila e pela internet através deste link aqui)
Duração recomendada da visita: 40 minutos
Horários de abertura ( clique aqui para ver o funcionamento nos feriados)
Segunda à sábado: 09:30 – 17:00
Domingo (de maio a setembro): 09:30 – 16:30
Domingo (de outubro a abril): 12:00 – 16:30
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Organize aqui sua viagem:
Ingressos sem fila para atrações em Dublin
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Essa jornalista e blogueira visitou a Old Library em parceria com Tourism of Ireland e o Heritage Island.
Oi, Donda. Tudo bem? 🙂
Seu post foi selecionado para o #linkódromo, do Viaje na Viagem.
Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com
Até mais,
Boia – Natalie