
Eu nunca fui fã desses ônibus de turistas. Pronto, falei.
Digo, os tais ônibus de dois andares hop-on-hop off que vão parando nos principais pontos turísticos das cidades. Sou dessas que gosta de desbravar a pé a cidade, e prefiro também usar o transporte público para ir de um lugar ao outro – especialmente no caso das cidades européias em que o sistema de transporte público é eficiente.
Porém, se o ônibus hop-on-jop-off é “combinado” com outras possibilidades de transporte, como por exemplo dar direito ao uso do transporte local e – melhor dos mundos – traslado de ida e volta do aeroporto, aí já acho que o sistema começa a compensar.
Esse é o esquema do The Freedom Ticket, um bilhete que permite 3 dias usando o ônibus de turismo + todos os ônibus do transporte público da cidade + ida e volta do ônibus expresso que faz a rota centro-aeroporto internacional.

E, sendo muito sincera, de tudo que eu experimentei em Dublin, esse serviço foi o que fez toda a diferença na minha viagem – e explico abaixo o porquê e como foi usar ele na cidade.
O que inclui o Freedom Ticket
Eu fui a Dublin a trabalho, mas tive a sexta e o fim de semana livre para explorar a cidade – mas por uma infelicidade do destino eu perdi as minhas reservas em um hotel e tive que ficar perambulando em diferentes albergues pela cidade com a mochila cheia nas costas.
Cansativo, como vocês podem imaginar.
Mas como toda experiência meio desagradável de um blogueiro rende depois um ótimo post cheio de dicas facinhas para os leitores, eis-me aqui escrevendo. Até porque, com mochila pesada nas costas, um bom transporte fez uma enorme diferença. 🙂
O Freedom Ticket, na verdade, é um “bilhete-combo”, válido por 3 dias (72 horas), que inclui três serviços:
- O Tour do ônibus Hop-on-hop off;
- O Airlink 747 Service (basicamente, o ônibus que leva do aeroporto ao centro da cidade e vice-versa)
- Uso ilimitado do transporte público da cidade (uma vantagem para quem está se hospedando fora do centro de Dublin, ou que quer visitar atrações um pouco mais afastadas do centro, como o Castelo de Malahide. É bom também para pegar ônibus depois das 19 horas, quando sai o último ônibus do tour).
E custa o equivalente a 33 euros.
Usei os três, várias vezes em 3 dias – e o Freedom ticket vale consideravelmente mais a pena do que os bilhetes do tour tradicional porque funcionam mais como forma de transporte do que turismo em si.
Usando o transporte público em Dublin
Foi mais fácil do que eu pensei.
Eu saí do hotel em que estava, o Grand Hotel Malahide, e ia para o centro de Dublin começar minha peregrinação turística. Malahide fica a mais ou menos 30 minutos do centro de Dublin, e eu optei por pegar um ônibus, que saía da rua em frente ao hotel.
Vantagens das vantagens: para quem se perde com gráficos e tabelas (eu sou uma), os diagramas dos pontos de ônibus em Dublin são fáceis de entender e de se achar na cidade – especialmente quando você não tem ninguém para perguntar.
E a ajuda plus é que o Freedom Ticket tem um mapinha bem explicado dos ônibus e dos pontos em Dublin.
Usei duas vezes os ônibus públicos da cidade – na maior parte das vezes, eu usei o hop-on-hop-off como método de deslocamento, porque é fácil de visualizar a rota dele. Na primeira vez que usei, foi ao ir de Malahide a Dublin, e a segunda foi para voltar da Guinness StoreHouse, uma vez que eu fui no último horário exatamente porque queria ver o tal do Gravity Bar no horário do pôr do sol. Consegui – e perdi o ônibus do tour. A solução foi vir no ônibus público, que demorou um pouco dessa vez (acho que era efeito do fim de semana – pelo menos em Londres há menos ônibus nas ruas aos sábados e domingos), mas foi tudo muito tranquilo.
Usando o Tour hop-on-hop-off
Várias empresas oferecem esse serviço. Tem a Sightseeing Dublin (um ônibus vermelhinho), e até uma que eu não lembro o nome, mas era engraçada porque todos os turistas vestiam chapéis de viking, com aqueles dois chifres na cabeça.
Não, o que eu usei – e recomendo, foi a Dublin Bus, do ônibus verdinho e roxo. É legal deixar claro para não haver confusão.
São duas linhas que percorrem toda a Dublin: a linha roxa (Original Tour) e a linha rosa (Docklands Tour). Ambas partem da O’Connel Street, a rua principal do centro de Dublin, mas você pode pegar o tour a partir de qualquer ponto.
Só fique de olho no letreiro do ônibus – ali que eles identificam qual é a rota que ele vai seguir.

Eu acho que o ônibus se torna uma boa pedida especialmente quando você quer se deslocar para atrações mais distantes de onde você estava hospedado. Para quem fica no centrinho de Dublin, onde está o Trinity College, o Temple Bar e a Nassau Street, pode fazer todos esses pontos a pé, mas o passeio fica mais cansativo ao ir para a Guinness Storehouse (dá para ir a pé também, mas cansa), a Kilmainham Gaol, o National Museum e a Old Jameson Distillery. O mesmo vale se você está hospedado mais próximo dessas localidades e quer ir ao Trinitty College, por exemplo.
O Original Tour (linha roxa) é o mais procurado, e provavelmente o mais frequente que você vai fazer, já que ele passa pelas principais atrações.
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Minhas dicas do Original Tour:
- Pontos que valem a pena parar: Trinitty College, ChristChurch/Dublinia, Guinness Storehouse, Kilmainham Gaol, National Museum, Old Jameson Distillery.
- Para quem ama arte: desça também no Modern Art Museum e no National Gallery. Quem curte livros (como eu) pode descer no Writer’s Museum também.
- Os pontos do ChristChurch/Dublinia e Saint Patrick’s Cathedral são próximos um do outro. Vale a pena parar e fazer o primeiro, e depois descer a pé até o segundo. Dependendo do cronograma, é mais rápido ir andando do esperar pelo próximo ônibus.
- Fique atento ao fluxo de passageiros. Em dias cheios – especialmente fim de semana – os últimos horários de saída da Guinness StoreHouse lotam, e pode ser que ali você já não consiga mais subir e tenha que voltar de transporte público normal.
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Claro que, nesses ônibus, você só desce se quiser para ver as atrações – mas vale a pena descer sim. 🙂
Já o tour rosa pelas Docklands demora menos que o tour principal (apenas 45 minutos) e passa por uma área de Dublin que foi recentemente remodelada, com prédios novos. É interessante, mas porque é curtinho e porque está incluído – fora isso, eu não senti muita necessidade de descer em nenhuma parada por aqui não (a menos que você queira descer para tirar uma selfie no U2 Graffiti Wall – um muro todo grafitado onde está o que restou dos estúdios onde o U2 gravou um de seus sucessos).
Embora, o ponto do tour das Docklands que eu achei particularmente forte fica perto do ponto da Custom House (parada 3 do tour rosa): é uma escultura em homenagem à “Grande Fome Irlandesa“: um período negro de 1845 a 1849, em que uma praga dizimou as plantações de batata no país, destruindo a principal base de alimento dos irlandeses (então colônia da Inglaterra) e causando a morte de mais de 1 milhão de pessoas. O período foi considerado o “Holocausto irlandês” e, apesar de haver vários memoriais como esse no país, este em especial foi colocado num lugar de grande importância histórica: simboliza a imigração forçada de irlandeses fugindo da fome, e especialmente de um navio, chamado “Perseverance”, que zarpou deste ponto em direção a Nova York. O capitão, um homem de 74 anos e veterano de travessias pelo Atlântico, largou seu emprego para conduzir o navio, que levava 210 passageiros que fugiam da fome.

As esculturas foram feitas por um artista local e são poderosas e fortes de se olhar. Tiveram um efeito sobre mim muito maior do que qualquer outro memorial na cidade (comecei a ler mais sobre a história irlandesa depois disso).
Para quem achar a história interessante e quiser saber mais, uma dica é parar no ponto do Jeanie Johnston, uma réplica dos navios que transportavam os emigrantes irlandeses para os Estados Unidos, e saber como eram as condições de viagem da época. O tour pelo Jeanie pode ser comprado aqui – eu não fiz porque ele estava em fechado no dia em que eu estava lá.
Ah, outra coisa importante: há um audioguide disponível em vários idiomas nos ônibus – e segundo a pessoa responsável pelo programa, eles já estão fazendo o processo de incluir português do Brasil no tour. Deve estar disponível até o fim deste ano ou já no ano que vem.

Usando o Airlink – o ônibus para o aeroporto
Não usei na minha ida – como estava indo para um evento que acontecia em Malahide, fui de taxi – mas fiz a volta do centro até o aeroporto usando o Airlink.
O ônibus é fechado, verde escuro (diferente do tour, que é aberto e verde claro), e funciona das 6 da manhã até as 23:30. É circular, e os pontos finais são no próprio aeroporto de Dublin e na estação de Trem Heuston (mas ele para na O’Connel Street, em frente ao ponto dos demais ônibus de tours.
A viagem demorou uns 50 minutos (no horário entre 15 e 19 horas o trânsito fica mais complicado, então eles sugerem reservar um tempo de viagem) e pára em frente do terminal 1 e do terminal 2 do aeroporto.
Para quem está vindo do aeroporto à cidade, pode comprar o bilhete direto com o motorista: custa 6 euros só a ida, e 10 o bilhete de retorno centro-aeroporto, para quem quiser comprar separadamente. Já o Freedom Ticket vende em um dos quiosques da Dublin Bus na Travel Information Desk, logo no setor de desembarque do terminal 1.
Mas o Freedom Ticket vale a pena?
Preciso deixar claro uma coisa: este não é um post pago, mas a atração foi apoiada. A empresa Dublin Sightseeing.ie ofereceu um The Freedom Ticket para eu usar na cidade durante os exatos 3 dias que me restava em Dublin. Aceitei – porque é um serviço popular e achei que seria interessante conhecer e escrever a respeito, embora pessoalmente não curtisse muito o sistema. Mas me surpreendi – e me rendi. E juro, recomendo solenemente como um “must-buy” da sua viagem.
Minha experiência foi ótima. E penso que, para quem pensa em ficar três só fazendo turismo pela cidade de Dublin e arredores próximos como Malahide Castle ou Powerscourt Castle, dois pontos de interesse famosos de lá, o passe deixa a viagem bem em conta e confortável.. Ou para quem vai percorrer MUITO a cidade, atração por atração (como era o meu caso que tentei fazer o máximo possível em pouco tempo).
Se colocarmos na ponta do lápis os custos do ônibus de ida e volta ao aeroporto, os ônibus dentro de Dublin indo de atração a atração, e o transporte público até Malahide e Powerscourt, vai dar um pouco menos que os 33 euros do Freedom Ticket. Mas isso é uma conta bem contadinha, centavo por centavo, dos passeios de ônibus. Se a gente contar que o Freedom Ticket oferece um número ilimitado de viagens de ônibus (eu ia e voltava do meu albergue lá longe para o centro várias vezes) e o “plus” do audio-guide no tour… eu acho que compensa ir no Freedom Ticket e curtir sua viagem numa boa.
Porém, quem fica menos tempo em Dublin propriamente dita, ou que na programação tem mais tours de um dia inteiro (como Cliffs of Moher, Belfast ou The Giant’s Causeway), talvez a melhor opção seja comprar o Day tour do ônibus hop-on-hop-off ou, ainda, deixar para desbravar Dublin a pé mesmo. Vai do que você prefere! 🙂
Onde comprar:
Onde comprar: Você pode comprar o Freedom Ticket direto pela Viator aqui ou direto no guichê da Dublin Bus no desembarque do terminal 1 do aeroporto de Dublin. Se comprar pela internet com a Viator, você receberá um email com o voucher da compra. Basta imprimir e solicitar o ticket no guichê da Dublin Bus do aeroporto.
Quanto custa: 33 euros
Vale por quanto tempo: 72 horas, contadas a partir do momento em que você usa o bilhete pela primeira vez.
Horários de funcionamento:
- Airlink Airport Service: de 6 da manhã (7 aos domingos) às 23:30 (23:20 aos domingos) todos os dias
- Hop on Hop Off Bus: O primeiro ônibus sai às 9:00 e o último às 19:00, todos os dias
Esta jornalista testou o The Freedom Ticket em Dublin por uma oferta da empresa Dublin Bus.
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Links úteis para planejar sua viagem para Dublin:
Hotéis em Dublin pelo Booking.com
Passeios em Dublin e Irlanda pela Viator
Aluguel de carro em Dublin pela Rental Cars
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