Uma das primeiras coisas que eu aprendi em Londres – bem, mas que acontecem em todo lugar do mundo – é que a cidade é cheia do que eles chamam de “hidden gems”, ou pérolas escondidas: lugares charmosos/interessantes/curiosos que ficam escondidos na cidade e que poucas vezes a gente descobre simplesmente caminhando pela rua. É preciso pegar uma rua escondida, ou seguir uma indicação que envolve ruas tortuosas para achar, de repente, uma loja, ou uma igreja, ou uma praça que fica bem no coração de cidade e, ainda assim, não parece em nada com Londres – se bobear, parece que você está em outro país.
E se a gente consegue ter essas descobertas em vários lugares do mundo, em Londres é especialmente interessante fazer essa “caçada” – como a cidade é uma das capitais mais antigas da Europa, com construções de séculos (e milênios) ainda de pé por aí, encontrar um lugar que faça a gente viajar no espaço e no tempo nem é muito difícil.
Eu confesso – parte das dicas desse post eu descobri em uma matéria da TimeOut Londres, que mostrava os 8 lugares mais inusitados de Londres, e eu fui pessoalmente visitar alguns para conferir se era isso mesmo. Já a outra parte, foi por opinião e descoberta minha. Mas o que vale é que todos esses cantinhos são bem diferentes dos pontos turísticos tradicionais de Londres (e, vale dizer, são gratuitos). Por isso, fica a dica para quando você vier para a capital londrina e quiser um passeio fora do lugar comum – de quebra, você ainda volta com um monte de fotos de um país como se estivesse em outro. 🙂
BAPS Shri Swaminarayan Mandir

Varanasi? Bangalore? Não, Londres – sim, a capital inglesa tem um templo indiano (enorme, lindo) de verdade – e a visita ainda é gratuita. O templo fica na parte North West da cidade, na zona 3, a mais ou menos 30 minutos do centrão de Londres (dica: é para as mesmas bandas do estádio de Wembley, se você quiser aproveitar o passeio e visitar logo os dois).
Ele foi construído pela comunidade indiana de Londres (vale dizer que a Inglaterra abriga a maior comunidade indiana fora da Índia no mundo) e tanto os materiais quanto os métodos de construção seguiram fielmente as tradições hindus.

Ah, vale dizer que no ano 2000 ele entrou no Livro dos Records por ser o maior templo hindu construído fora da Índia.
O lugar funciona como um templo, e portanto, tem regras rígidas: as visitas não podem estar com pernas de fora; sapatos devem ser retirados na entrada do templo, bolsas não são permitidas de forma alguma, é preciso deixá-las no guarda-volumes em frente (celulares também não são permitidos e devem ser desligados). E o contratempo mais chato de todos: não é permitida nenhum foto do interior (por isso, eu estou usando as fotos de divulgação nesse post!). Ah, e silêncio, o tempo todo.
Lado positivo de tanta restrição: sem a possibilidade de compartilhar a experiência, a gente acaba curtindo a visita de de forma mais íntima e particular – e bem, um templo não tem tudo a ver com interiorização?
A entrada do Mandir (vamos chamá-lo assim, porque pelo nome completo não vai dar certo) já é desbundante: a gente passa pelo raio-x e chega a um salão enorme, com uma tapeçaria impecável e paredes de madeira todas trabalhadas – é de uma beleza tão grande que parece uma renda entalhada em madeira.
Mas a dica de ouro é subir para o segundo andar está o templo propriamente dito e onde acontece os rituais – trata-se de um salão todo feito em mármore carrara e calcário, em que não há uma coluna ou parede que não tenha sido ricamente entalhada à mão.

A ordem de manter silêncio, aqui, é desnecessária: a gente já fica de boca aberta mesmo só em chegar.

Informações Gerais:
Valor: a entrada é gratuita, mas o complexo pede doações para manutenção. No andar de baixo tem uma exposição (cujo acesso custa 2 libras) sobre a construção do templo.
Como chegar: A estação de metrô mais perto é a de Neasden, na linha Jubilee (cinza), na zona 3.
Importante: não pode tirar fotos nem entrar com bolsas – deixe tudo (inclusive o celular) no guarda volumes no estacionamento em frente.
Mais informações: Site do Baps Swaminarayan Mandir
Richmond Park
Londres é cheia de parques, e em algum momento da sua viagem você vai passar por um deles (seja o Hyde Park, o Kensington Gardens ou o Regent’s Park, os mais famosos). Mas a experiência diferente, mesmo, está em Richmond Park, que fica bem mais distante da zona 1 da cidade, mas que vale a pena.
Três motivos porque o Richmond Park merece a visita: primeiro, porque é uma reserva natural – inclusive, uma das maiores do Reino Unido. Segundo, porque a vegetação dele é mais rústica e selvagem, ao contrário do jeitinho de jardim bem cuidado de parques como o Regent’s Park.
E o terceiro (e melhor) motivo: quem mora por lá! 🙂
Pois é: Richmond Park foi criado como uma reserva para veados (e para onde os antigos reis ingleses gostavam de ir para caçar). Hoje, sem a parte da matança, o parque é o local mais indicado para ver um pouco da vida selvagem da Inglaterra ao vivo e a cores: duas espécies de cervos habitam o parque, e dá para vê-los em manadas especialmente nos meses de outubro (acasalamento) e março (nascimento dos filhotes).
Mas quer uma dica? Vá em outubro, para ver as cores de outono. Nem parece que você está em Londres, né?
Como chegar: A estação mais perto é a de Richmond (dá para de trem ou Overground).
Quanto custa: De graça.
Dica: vá com um sapato bem confortável, porque o parque é grande e anda-se bastante!
Mais informações: Fizemos um post completinho de lá, aqui, dá uma olhada!
Saint Dunstan in the East
Essa igrejinha estava na lista da TimeOut dos lugares mais inusitados de Londres, e eu não resisti para conferir de perto.

Primeiro: é super escondida! Ela fica mais ou menos perto da Torre de Londres, de modo que é mais fácil encontrá-la se você estiver andando de lá. Segundo: vá com um olho na rua e outro no GPS do celular: a igreja é pequenininha e fica num quarteirão, esmagada entre vários espigões – para chegar nela é preciso pegar aquelas ruelas bem pequenininhas.
Mas chegando lá, parece que a gente de repente sai de Londres e chega a uma das portas de Rivendell, cidade dos elfos do “Senhor dos Anéis”. St Dunstan-in-the-East é uma Igreja antiga pequenininha construída em 1100, destruída no Grande Incêndio de Londres em 1666, reconstruída de novo (parte dela por Christopher Wren, o mesmo arquiteto inglês que projetou a Catedral de Saint Paul) e, finalmente, destruída outra vez durante os bombardeios alemães em 1941. Só que nesta segunda vez a cidade decidiu não reconstruir e deixar as ruínas do jeito que estão, como um jardim – está assim até hoje.
Não tem nada a mais além disso – mas só uma foto das ruínas já faz parecer que a gente entrou num livro de fantasia.
Mais informações:
Como Chegar: as saídas de metrô mais próximas são a Tower Hill e a Monument.
Valor: de graça.
Quando abre: o jardim fica aberto de 8 às 19, mas confira se no site se está tendo alguma obra – quando eu fui, estava fechado porque eles estavam fazendo a restauração do muro – a foto foi tirada do lado de fora da grade mesmo!
Hampstead Hill e Pergola
Não estranhe se você chegar lá e subitamente se sentir “transportado” para alguma história da Jane Austen, ou para uma cena do filme “Orgulho e Preconceito”.
Lá em 1904, um desses ricos nobres ingleses comprou um comdomínio no então parque de Hampstead Heath e, porque ser uma das áreas mais altas de Londres, apelidou o condomínio de “Hill”. Como o tal nobre era apaixonado por jardinagem (aliás, como muitos ingleses até hoje), ele mandou construir uma pérgola cercada por uma série de jardins de verão, onde ele poderia sediar ali festas e chás extravagantes com amigos e família. Como dinheiro na época não faltava, ele contratou um dos melhores arquitetos paisagistas da época. A primeira parte da Pergola ficou pronta em 1906, e depois o nobre ainda fez mais duas expansões enormes nos anos seguintes.
Mas o glamour durou mesmo só enquanto ele viveu – depois disso os jardins foram entrando em declínio, a vegetação foi tomando conta, e hoje sobraram apenas o “esqueleto do que foi antigamente uma enorme “casa de festa”.
Mas assim é fascinante: todo o ar de aristocracia da construção ainda permanece, e dá para fechar os olhos e se sentir em algum filme antigo – ou seja, se uma foto ali ainda faz a gente se sentir em Londres, certamente não faz a gente se sentir em 2015!
Mais informações:
Como Chegar: A estação mais perto é a de Hampstead (Underground) mas traga tênis – é preciso fazer uma trilha (deliciosa, aliás), para chegar lá.
Ingresso: De graça, mas fique de olho nos horários de abertura do parque.
Observação: cachorros não podem entrar de jeito nenhum. Nem o seu.
Clarissa, você me deu dois bons motivos para voltar a Londres!!! Acabei de chegar de lá, passei 10 dias e fiquei me perguntando se teria vontade de ir lá de novo. Eis que me deparo com esse post com várias dicas legais.
Adorei o templo hindu e o Richmond Park. Parabéns pelo post!
Eu ainda estou escrevendo sobre o básico de Londres.
Um abraço,
Luciana
Que bom que gostou, Luciana, obrigada pela mensagem!
Acho que Londres é o tipo da cidade que sempre dá para vir de novo, porque é inesgotável – e isso pode soar clichê, mas eu não acho que o mesmo vale para todas as capitais, mas aqui, com certeza!
Acredite: se daqui a um tempo você voltar para mais 10 dias, você vai ver a cidade com outros olhos, porque Londres muda muito. E esses lugares também foram para mim uma grata descoberta!
Que lugares incríveis, Clarissa! Vontade muita de estar em Londres nesse verão!
Vem, Lili! Vai ser ótimo a gente se rever por aqui! 🙂
Oi, Donda. Tudo bem? 🙂
Seu post foi selecionado para o #linkódromo, do Viaje na Viagem.
Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com
Até mais,
Bóia – Natalie
Oba, obrigada!
UAAAAAU! quanto lugar lindo! Post guardado para minha próxima ida a Londres!
Beijos
Pergola já conhecia, mas o RICHMOND PARK parece coisa de sonho!!! Vou ter que conhecer!
Clarissa, Parabéns pelo post !
Ótimas dicas e fotos incríveis
Estou com vontade de ir a Londres no próximo ano, agora será uma parada certa. Poderia pegar mais dicas contigo?
Att
Leandro
Oi, Leandro!
Claro! Aqui no blog já tem uma enorme seleção de posts sobre Londres bastante detalhados (dá uma olhada: http://www.dondeandoporai.com.br/category/destinos/europa/inglaterra/).
Espero poder ajudar!
Que matéria legal !
Fui para Londres e não sabia de nenhum desses lugares. Com certeza os irei visitar em uma próxima viagem, adorei as dicas