Minha primeira viagem para Dublin foi num frio mês de outubro, em que a cidade toda estava com aquele bonito visual amarelado do outono, mas também com uma chuvinha incessante que deixava tudo com aquele frio molhado.

Minha previsão era ficar 5 dias na cidade – mais especificamente, chegando na quarta e voltando para Londres no domingo. Eu ia para um evento, de modo que já tinha um hotel reservado para os dias de semana – e o hotel do fim de semana era o que eu tinha que reservar por minha conta. Só que aconteceu o impensável: por algum motivo, meu segundo hotel do fim de semana não registrou a minha reserva e, chegando lá, descubro que ele estava esgotado e eu, sem eira nem beira, sem lugar para dormir numa cidade em que eu não conhecia ninguém.

Aí começa a aventura, os aprendizados e as dicas deste post. 🙂

 

O hotel que deu certo

Primeiro, onde eu estava – e onde também aprendi sobre distâncias em Dublin.

Por conta do evento que eu participaria, estávamos hospedados no Grand Hotel Malahide, que fica a 30 minutos do centro de Dublin. O hotel é 4 estrelas, daqueles próprios para convenções, e com conforto e localização impecáveis.

the grand malahide hotel 2
A recepção do hotel.

Era, aparentemente, a primeira escolha de quem viajava a trabalho para eventos ou para a terceira idade, outro público forte que eu via por ali. Se eu vier um dia com meus pais para cá, este seria um tipo de hotel que eu os traria. Achei também uma ótima pedida para quem vem com família grande.

The grand Malahide hotel
O meu quarto!

Vantagens: os quartos eram extremamente confortáveis (o meu era enorme! Algo que eu definitivamente não estava acostumada, tomando-se a comparação com o tamanico dos quartos de hotel em Londres) e o hotel ficava com os fundos voltados para a baía de Malahide. A vista de manhã, do salão envidraçado do café da manhã, era sempre muito bonita e bucólica (e quando parava de chover e o sol apareceria, o que geralmente acontecia de manhã, tudo ficava melhor ainda).

Desvantagens: O hotel ficava a mais ou menos 30 minutos do centro histórico de Dublin, onde a bagunça acontece. É ruim se você quer estar a um passo de tudo.

Mapa dublin

Sim, parece longe, né?

Na boa: Mas são apenas 30 minutos de distância de um para o outro – e isso de transporte público. Há um ponto de ônibus a uma pequena (mesmo) caminhadinha da porta do hotel Malahide, que eu fui andando, de malinha na mão. O ônibus passa a intervalos de 15 minutos e chega pontualmente no ponto de ônibus, com o bônus de ser dirigido por um motorista dublinense, que são os mais fofos do mundo segundo pesquisas do Instituto Dondeando Por Aí (parte desta conclusão está neste post com histórias de taxistas e motoristas de ônibus).

Fiz todo o trecho sentadinha na janela, admirando a Irlanda dourada de outono, e 30 minutos depois estava no centrão de Dublin. 🙂 Facinho.

O outono da Irlanda visto da janelinha do ônibus. Nem me incomodou a distância! :)
O outono da Irlanda visto da janelinha do ônibus. Nem me incomodou a distância! 🙂

Observação: se você já vai a Dublin com os passeios contratados de ônibus que levam ao Castelo de Malahide e a outras atrações do país, confira se o ônibus de turismo passa em Malahide. Se passar, e se você não for do tipo que não curte o ritmo eletrizante de Dublin, Malahide é uma opção tranquila e chiquetosa.

Centro de Dublin: onde tudo lota 

Uma coisa que eu aprendi nesse fim de semana em Dublin: sempre reserve seu hotel/albergue com razoável antecedência. E se isso vale para qualquer destino, em Dublin a dica é ainda mais crítica – especialmente se você fica por lá no fim de semana.

Ah, vai ficar em albergue? Reserve mais cedo ainda!

Explico: a cidade é, acima de tudo, universitária (leia-se: cheia de jovens). E é Dublin (leia-se: cheia de pubs). Então, o que acontece com frequência é que MUITA gente de outras cidades vem para Dublin para passar um fim de semana com os amigos, ou na farra. Moral da história: quase todos os hotéis centrais e, principalmente, albergues, lotam. LOTAM.

E eu aprendi isso na prática, quando descobri que houve uma falha na minha reserva no fim de semana, o hotel não registrou e – voilá – descobri que não tinha onde dormir de sexta a domingo. 🙁 🙁

Hotéis do centro

Como eu estava reservando de última hora, não haviam quase muitas opções acessíveis – até os hotéis estavam todos lotados e os que tinham vaga ofereciam aqueles quartos de tarifas milionárias. Não dava.

Mas já que eu estava sem eira nem beira na sexta feira, de mala na mão e sem hotel para ficar, eu resolvi ir visitando alguns dos hotéis no centro da cidade  – o evento que eu tinha participado no Hotel Malahide no dia anterior era com hoteleiros e agências de viagem na Irlanda, de modo que eu estava cheia de contatos recentes nas mãos. Então, vai que algum dos hotéis tinha um quarto disponível que não estivesse anunciado na internet mas que também não custasse um milhão de euros a estadia?

Não tinham. E eu me rendi e acabei dormindo em albergues (como destaco mais a seguir), mas anoto aqui as minhas impressões das minhas visitas:

  • O que eu ia ficar: O Brooks Hotel. Foi também o que eu tive problemas na reserva. Vale dizer que isso não foi culpa deles – foi minha, porque achei que a reserva tinha sido confirmada, e não foi o caso. É um hotel boutique novo e bem charmosinho (eu estava há meses sem férias e achava que podia ter um fim de semana de mimos) que fica mais para o sul do Trinity College. A região ao redor é bem agradável. Partiu meu coração por não poder ficar.
  • Na Fleet Street: Tem o Fleet Street Hotel, bem localizado e com tarifas bem razoáveis, que é o que interessa. Perto dele tem a opção sofisticada do The Morgan Hotel.
  • Perto da O’Connell: Há um hotel da rede Best Western logo ali perto, numa ruazinha pequena lateral, que parece uma boa pedida para quem quer ficar mais afastado da zona de festas, mas pertinho das lojas e pontos dos ônibus de sightseeing. Eu já fiquei em alguns hotéis da rede aqui na Europa e gostei muito, de modo que foi também uma das minhas tentativas neste fim de semana (e também costuma oferecer preços bacanas). Fica pertinho do Writer’s Museum. Outra opção é o KingFisher Townhouse: um prédio com cara de antigo e jeito de casa. Tem quartos e apartamentos (estes últimos tem uma cozinha completa e são bem espaçosos, ótimos para famílias). Eu almocei no restaurante daqui – pratos de frutos do mar divinos! – e, assim como o Best Western, fica a uma curta caminhada das lojas da O’Connell. E em frente a ele tem o hotelzão Jurys Inn Dublin, um dos mais elogiados no evento que fui quanto ao serviço.

 

Albergues: a opção salvadora (e animada)

Eu acabei me hospedando em dois albergues: um na noite de sexta e outro na noite de sábado (já que não consegui nenhum lugar que tivesse vaga para os dois dias). Tive mesmo o estresse de ficar mudando de hotel e andando com tudo nas costas.

Mas o saldo positivo foi que conheci dois lugares: um bem bacaninha, que recomendo abaixo, e outro que nem vou mencionar porque foi bem caído e bem sujinho – não recomendo para ninguém.

Onde fiquei (e valeu a pena): The Generator Hostel
Foi, talvez, a melhor coisa que saiu desse sufoco – conhecer um albergue bacaninha em Dublin.
Fica bem pertinho, praticamente atrás, da Old Jameson Distilery, só que distante da Temple Bar. Ou seja, se você vai ter que pegar um ônibus (e, especialmente, voltar de ônibus ou táxi) se quiser curtir a noitada por lá.
Um painel de vidro enorme num prédio de tijolos esconde a surpresa do que acontece lá dentro: o albergue é super moderno e estiloso. Cadeiras e decoração de madeira de demolição e móveis antigos rimam com um espaço cheio de cores fluorescentes, e um bar animadíssimo. E eu estou escrevendo este post confortavelmente instalada numa cadeira próxima do nível do bar, onde está rolando nesse momento uma banda ao vivo – e é MUITO BOA. Baladinhas rock-acústicas da melhor qualidade.

Dublin NIghtlife
Como estava cansada de ficar perambulando o dia todo a pé pela cidade, resolvi ficar por aqui um tempo pela noitinha, de modo que deu para avaliar bem o lugar. O padrão desse hostel segue com nota 10 em tudo: wifi gratuito e rápido, bar animado, gente bonita (demais, até), áreas de convivência, lockers… Você só tem que trazer seu cadeado, mas se não tiver procure a recepção que eles vendem por lá, bem como adaptadores de tomada universais (uma benção que eu acho que tinha que ser obrigatório em TODAS as recepções de hotéis e pousadas do mundo).
E o mais importante: o quarto. Eu fiquei em um quarto compartilhado de quatro camas (dois beliches – era o que tinha para hoje). O quarto tinha um bom aquecimento e cobertas (minha preocupação, já que eu sou friorenta e Dublin tava bem friozinho). Os lençóis e roupa de cama são impecavelmente limpos – e quando você já faz o check eles já definem  a sua cama (ou seja, não tem que chegar antes e ficar brigando pela melhor cama ou tendo o estresse de deixar sua cama marcada, ir ao banheiro e quando voltar alguém pegou por você).
Ah, os quartos eram bem escuros e todas as camas tinham duas tomadas, para você deixar seu celular carregando enquanto dorme. Pode ser besteira, mas acho esse tipo de preocupação um ponto muito positivo, porque tomadas em viagem é necessidade tão básica quanto wifi.
Só não tem cozinha nem café da manhã, mas o bar oferece opções de comida a preços amigos. E do outro lado da rua deste albergue, tem um mercadinho bem simpático que vende várias opções de itens para café da manhã e demais refeições.

Street-art próxima ao Generator Hostel. A área ao redor é bem legalzinha...
Street-art próxima ao Generator Hostel. A área ao redor é bem legalzinha…

Observação 1: O albergue é beeeem animado. Mas vale lembrar que albergues assim atraem uma galera igualmente animadíssima e, algumas vezes, bem doida. Então, não vai ser improvável que você seja acordado no meio da noite por roommates bêbados e barulhentos. Se isso não é problema e você também curte essa animação, ótimo. Mas se você não gosta, fique ligado quanto a isso, tá?

Observação 2: O hostel não é tão pertinho da parte central de Dublin, como o Temple Bar e as lojinhas da Talbot. Durante o dia, isso não é um problema para sair turistando – você pode usar o sistema de ônibus da cidade ou comprar um dos ônibus hop-on-hop-off (eu fui no Dublin Sightseeing.ie, a empresa que cuida dos ônibus verdinhos e recomendo bastante), que param próximo à Jameson Old Distillery e seguem para todo o resto da cidade. Só à noite que os ônibus de turismo param de passar, especialmente para a noitada – aí é só táxi, ônibus normal ou, se o álcool deixar, a pé.

mapa generator hostel

O segundo  albergue: Censurado

Brincadeira… Eu digo censurado porque, bem, eu não consegui achar nenhum hotel em toda Dublin que tivesse um quarto de sexta para sábado – a ponto de estar quase considerando ir para o aeroporto e dormir em um dos bancos de lá, dado o meu desespero. 🙁

Mas aí eu achei um, único: uma cama num quarto compartilhado em um dos hotéis mais centrais. E neste caso, a localização era até boa – eu fui andando até a Temple Bar e deu para conhecer a noite de lá.

Mas para por aí: o albergue em si era sujo, frio, esquisito. Não gostei – e vi reclamações semelhantes em outros sites.

Então, optei por não colocar o nome dele aqui por dois motivos: primeiro, porque eu não recomendaria para ninguém. Segundo, porque apesar de tudo, foi esse albergue que me salvou de passar a noite ao relento, e acho justo eu também não “queimar” o estabelecimento por aqui. Conversei com o dono do hostel – um cara meio embrutecido, mas que se mostrava gentil depois de alguns dedos de conversa e comentei de algumas coisas que eu achava meio “críticas”. Se ele considerou ou não, não sei. Mas eu fiz minha parte.

Outras opções de albergues

Mas considerando que eu passei boa parte da minha sexta e sábado procurando albergues, tanto online quanto pessoalmente, de mala e cuia pela cidade, acabei passando e conhecendo alguns “in loco” que gostei já de cara, e que somavam a combinação certeira localização x preço amigo x vibe boa. Só me faltou vaga! 🙁

Então, anotei aqui algumas das opções: espero que ajude na hora de planejar a viagem de vocês. Ah, todos eles são bem centrais!

  • Abbey Court Hostel: Alternativo, cheio de arte nas paredes, mas com um astral interessante. Fica do lado da O’Connel, onde estão as principais lojas de lá, e dá para ir a pé ao Temple Bar e Trinity College. Fora que o prédio é uma gracinha.
  • Ashfield Hostel: esse eu lamentei que não tinha espaço! A localização é fantástica: a pouquíssimos passos do Trinity College, e pertíssimo da Fleet Street.
  • Abigail’s Hostel: Para quem tem planos de curtir bastante as noitadas, esse hostel fica atrás da Temple Bar, mas fica de frente para o Rio Liffey (se você pegar um quarto de frente, tem chances de ouvir menos barulho e ainda curtir uma boa vista. As avaliações no Booking.com eram boas, especialmente no quesito limpeza.
  • Oliver St. John’s Gogarty: fica bem na Temple Bar – e eu passei por ele à noite. Lembro de uma placa que anunciava a “típica comida irlandesa” – e não sei se é bom, mas ele ficava lotadíssimo à noite. O hostel fica em cima do pub – e eu imagino que deve ser meio barulhento à noite – mas… bem, não dá para esperar algo diferente de quem fica na própria região na Temple Bar, né?
  • Isaac’s : Esse foi o hostel que eu mais insisti para ficar (antes de ir para o meu hostel chinfrim). O Isaacs fica do outro lado do rio, numa viela escondida, próximo à Talbot. Por conta disso, era bem mais silencioso do que os que ficam próximos ao Temple Bar e ao Trinity College à noite, e achei ele mais tranquilo também em comparação ao Generator (e pareço uma velha ao dizer isso, mas eu prefiro mesmo dormir em lugares tranquilinhos). Era um dos que tinha o preço mais em conta e um clima legal, tanto de pessoas quanto do estabelecimento em si. Sabe aquela coisa de “lugar que eu não fiquei mas voltaria fácil na próxima vez?” Taí.

Dica final: particularmente, eu preferi os albergues e hotéis do outro lado da ponte, opostos à Trinity College, porque eram mais sossegados à noite – mas que bastavam uma caminhadinha simples para ir à farra e voltar.

Agora… esse post nasceu desse perrengue, e eu senti necessidade de compartilhar a aventura por aqui, mas se você tiver outras dicas de hotéis ou albergues, por favor me passe. Eu pretendo voltar à cidade em breve e com mais tempo, mas dessa vez me dando o luxo de efetivamente escolher onde quero ficar. Então suas dicas serão super bem vindas! 🙂

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Links úteis para planejar sua viagem para Dublin:

Hotéis em Dublin pelo Booking.com

Passeios em Dublin e Irlanda pela Viator

Aluguel de carro em Dublin pela Rental Cars

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Clarissa Donda
Sou jornalista e escritora. Eu criei esse blog como um hobby: a idéia era escrever sobre minhas viagens para não morrer de tédio durante a recuperação de um acidente de carro. Acabou que tanto o blog quanto as viagens mudaram a minha vida (várias vezes, aliás). Por isso, hoje eu escrevo para ajudar outras pessoas a encontrarem as viagens que vão inspirar elas também.

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