A FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty – teve sua nona edição realizada de 6 a 10 de julho deste ano, mas mesmo ainda tendo pouco tempo de estrada, já pode ser considerada o maior evento cultural de Paraty, um dos maiores do Brasil e, seguramente está incluída no rol dos maiores festivais literários do mundo.

O motivo do sucesso apoia-se numa combinação muito bem sucedida: excelentes autores convidados, nacionais e estrangeiros (já contou com Isabel Allende, Gay Talese, Milton Hatoum, Orhan Pamuk, Ian McEwan, João Ubaldo Ribeiro, Ferreira Gullar, Zuenir Ventura), da qualidade dos debates, da parceria com excelentes patrocinadores e da organização das mesas.
Sim, a organização das mesas é um fator interessante. Porque na Tenda dos Autores, onde acontecem os principais debates da feira, as palestras acontecem uma após a outra. Ou seja, não há necessidade de ter que escolher entre um ou outro tema, ter de optar por um ou outro debate. Assim, é possível ter toda a cidade vibrando num clima único, em que todo o público de Paraty assiste, junto, a um debate entre autores e mediadores, e em seguida, ouve-se os buxixos e comentários de todo mundo ao longo das vielas e restaurantes de Paraty, todos comentando suas opiniões, percepções… Abre-se o jornal e vemos as matérias sobre a mesa que assistimos no dia anterior, escutamos comentários sobre os livros na mesa ao lado. Têm-se a impressão que a troca de idéias fervilha pela cidade toda.
Ou seja, se a leitura é por definição um prazer solitário, a FLIP consegue elevar esse prazer pelos livros a um alcance que transborda pelas ruazinhas de Paraty.
A estrutura também merece uma observação à parte. As tendas foram todas muito bem montadas, computadores e wi-fi de graça, além de banquinhos montáveis de papelão, disputadíssimos. Tudo disponibilizado por empresas de peso: Itaú, Petrobrás, BNDES (que financiou a recuperação da Praça da Matriz), Folha de São Paulo, entre outros.
É certo que eventos desse porte não seriam possível sem o investimento de patrocinadores e parceiros fortes. Mas se deu gosto ver e participar de um evento de alto nível como esse, é preciso dar crédito à estas iniciativas, para manter viva aquela chama tênue de esperança que se acende em nós, de que é possível, sim, realizar empreendimentos culturais de padrão internacional e acessíveis ao público em geral. Paraty precisava disso e nota-se com clareza o quanto a cidade cresceu com a feira. Imagine o quanto o Brasil não cresceria com outros eventos do mesmo porte.
É bem verdade que o ingresso para uma Mesa dos Autores era meio salgado (R$ 40,00 a inteira), mas se considerarmos que existe a Tenda do Telão, bem como uma série de palestras acontecendo simultaneamente em outros lugares na cidade, como na Flipzona e na Flipinha, então é possível ter acesso a debates de excelente qualidade a custo zero.
Ah, e o melhor: ano que vem será a décima edição da FLIP, e naturalmente, pela importância da data, a organização deve preparar várias atrações especiais. Mas o que está certo é que o homenageado de 2012 é ninguém menos que Carlos Drummond de Andrade.
E para tirar todas as pedras do meio do caminho para o próximo evento, segue uma lista rápida e prática de algumas coisas que eu notei/descobri esse ano e que, para o próximo, podem ser de ajuda para curtir o evento ainda mais:
Tenda dos Autores: Indiscutivelmente o melhor lugar para assistir os debates. Ótima acústica e ficar cara a cara com o autor é uma satisfação sem preço quando se é fã. Fones instalados em cada cadeira permitem que a platéia escute a tradução simultânea em inglês, português ou espanhol. Além disso, toda palestra reserva alguns minutos finais para perguntas do público ali presente. Infelizmente costuma ser a primeira a ter os ingressos esgotados, mesmo sendo mais cara (em 2011 foi R$ 40,00 a inteira e R$ 20,00 a meia), então é melhor correr.
Tenda do Telão: Segunda opção para assistir os debates, costuma ter mais vagas e é mais barata (R$ 10,00 a inteira e R$ 5,00 a meia). No caso de autores estrangeiros a tradução simultânea já é padrão, mas é possível pegar o fone para ouvir as versões em inglês ou espanhol. Uma proteção lateral permite assistir a palestra com conforto, protegidos do frio congelante que vem do rio ao lado.
Ingressos: Comprei os meus na internet, ma sé preciso atenção. As mesas mais disputadas costumam ter os ingressos lotados para a Tenda dos Autores minutos após a abertura da venda, então é melhor ficar atento à data e ao horário, e ficar de plantão na frente do computador. Ou, ainda, comprar na Feira mesmo. A FLIP disponibiliza uma bilheteria da “última hora”, em que os interessados em determinada mesa ficam esperando a Tenda dos Autores da dita cuja abrir e, baseado no número de lugares disponíveis na hora, eles efetuam a compra.
Há, ainda, a sorte de encontrar alguém vendendo um ingresso. Que é relativamente comum, diga-se de passagem.
Lojinha da FLIP: Todo ano tem uma lojinha da FLIP, que vende souvenirs fofos, como lápis, cadernos à la moleskine style, camisas, canecas e guarda-chuvas, todas com a comunicação visual do evento do ano, e algumas vezes até dos eventos passados (estes são vendidos a preços menores). Se você quer comprar uma lembrança do evento, dê um passada lá sim, mas só no último dia de evento (geralmente aos domingos). Por quê? Porque neste dia é comum dar 20% de desconto em todos os produtos (sim, isso não é divulgado, e eu descobri isso da pior forma possível: comprando pelo preço cheio na noite anterior!);
Livraria: A Livraria da Vila tem sido já há algumas edições a parceira da FLIP na venda das obras na feira. Mas nem sempre os preços são os mais em conta. Então, se você já tem uma idéia dos autores que pretende assistir (e quiçá conseguir um autógrafo deles depois), faça uma pesquisa antes do evento – na internet inclusive. A Saraiva e a Travessa fazem algumas promoções pré-FLIP, e é possível achar livros com até 20% mais baratos que os na feira. Então vá, encomende, compre e leve debaixo do braço para colocar o seu autógrafo!
Mas, caso você não tenha comprado, chegou lá na Flip e gostou dos autores na hora e não pode mais viver nem um dia sem um livro ou um autógrafo deles, vá na loja e tente se organizar definindo antecipadamente quais livros você quer e comprar tudo de uma vez. Vantagem? Dá para parcelar se o valor for grande, coisa que não será possível se você for daqueles que se empolga a cada palestra e vai comprando um livro um por um…
Hospedagem: A cidade lota para o evento. Por via das dúvidas, reserve sua vaga com dois meses de antecedência. Eis algumas opções:
Pousada do Ouro – Localizada no Centro Histórico, é charmosíssima, com acomodações elegantes. Boa opção, especialmente para casais.
Pousada Casa de Paraty – Também no Centro Histórico, só que mais perto do Cais, a parte mais tranquila. A área comum conta ainda com uma piscina pequena.
Pousada Aconchego – Também no Centro Histórico, charmosíssima, conta ainda com o Restaurante Aconchego Grill, um dos melhores da cidade.
Misti Chill e Geko Hostel – Para os mochileiros adeptos de albergues, estes dois são uma excelente opção. Ficam na Praia do Pontal e, praticamente, no quintal da Flip. Já ganharam o prêmio de “Melhor ambiente” pelo Hostel Bookers. Quartos organizadinhos, café da manhã que, se ao menos é honesto, é servido num quiosque em frente à praia. Ou seja, começa-se o dia deliciosamente, com os pés na areia e admirando barquinhos de pescadores à vista, enquanto se enche o bucho para peregrinar Flip afora. À noite, ambos os albergues organizam refeições e festinhas à beira da praia para confraternizar os hóspedes.
Onde comer: Hummm, yummy! Paraty tem ótimas opções, para todos os gostos e bolsos (achei inclusive mais de um restaurante que servia bobó de camarão para duas pessoas a R$ 39,00, um presente dos deuses para quem está acostumado aos preços salgadíssimos do Rio de Janeiro). Então, seguem algumas dicas de restaurantes que – alguns eu fui, outros não – estavam altamente cotados nesta FLIP:
Casa Coupé – Fui e adorei! Minha dica de belisquete (descrita aqui com água na boca) vai para os bolinhos de feijoada, servidos com torresminho e uma caipirinha de limão. Experimente abrir os bolinhos, colocar pimentinha, o torresminho e – isso mesmo – algumas gotas da caipirinha… Mais boteco brasileiro impossível.
Paraty 33 – O destaque da casa fica mais para a noitada, que começa a esquentar por volta de meia noite, mas tem refeições para alimentar o estômago boêmio. Mulheres na maioria das vezes conseguem ingresso VIP. A animação fica por conta das bandas que tocam por lá (é só ver a programação no site!).
Restaurante do Hiltinho – Em plena praça da Matriz, e você escolhe se quer sentar lá dentro ou em mesinhas do lado de fora, curtindo a bagunça (costumam, inclusive, ter festivais de música na praça e o restaurante fica praticamente em frente. Pratos fumegantes de peixes e camarão desfilando a olhos vistos.
Banana da Terra – Faz parte do clube da Boa Lembrança, aquele que de quebra você ganha um pratinho simpático para colecionar. O cardápio é mais refinado, como camarões negros flambados na cachaça servidos com arroz negro. Saladinhas de frutos do mar apetitosas e sobremesas brasileiríssimas, como sonho de aipim recheado com goiabada e catupiry ou banana (claro!) cozida com paçoca de amendoim. Destaque vai para as caipirinhas, brasileiríssimas, com combinações refrescantes como manga e gengibre ou capim santo com limão. Para beber e fazer um “ahhh!” de propaganda de pasta de dente depois.
Observação: em geral, não vi nenhum restaurante em Paraty cujo atendimento me deixasse satisfeita. Acontecia, em geral, o contrário: garçons distraídos, demora em atender, entrada e refeição principal servida tudo junto… Então, como isso foi uma constante em todos os estabelecimentos, fica uma pergunta: aconteceu isso com vocês também? Será que isso acontece apenas por que a cidade está cheia? Será que é por falta de preparo dos profissionais para atender a demanda?
De qualquer modo, meu conselho seria: a cidade é muito bonitinha e a comida muito boa para alguém ficar se estressando com garçom. Então abstraia os malas e seja feliz.
O que fazer na cidade: Paraty oferece atividades para lotar sua agenda por uma semana. Passeios de barco, mergulho, visitas à alambique, caiaque, trilhas, off-road, passeios até Trindade, ou simplesmente ficar relaxando na praia…
Qualquer atividade como as citadas acima podem ser agendadas diretamente no hotel ( todas as pousadas tem os contatos das agências de Turismo). Mas se você tem pouco tempo e o seu interesse maior é pela FLIP, foque na Feira e deixe para conhecer Paraty depois, ou estique sua estadia. Sim, porque tudo é interessante, e a FLIP só acontece uma vez por ano. Então, mergulhe no clima intelectual da cidade e aproveite. Porque as maravilhas naturais de Paraty estarão sempre esperando por você.
Calçados: Sim, este é o único conselho de dou de coração. Esqueça suas sandalinhas e rasteirinhas em casa. Salto alto, nem pensar. Abrace com gosto os tênis mais confortáveis que você tem. Sim, porque as pedrinhas do Centro Histórico de Paraty são um horror à parte. Carregam o peso histórico de terem sido construída por escravos para ajudar a passagem das carruagens que levavam o ouro de Minas, que é diretamente proporcional ao número de tornozelos torcidos por ali ainda hoje. Então, cuidado. A cidade é tranquilíssima em todos os sentidos, mas isso não é motivo para você não olhar por onde anda. Literalmente.
Tive o prazer de ter como companheira de viagem essa blogueira sensacional!!! As dicas listadas aqui realmente vão ajudá-los a curtir a Feira do próximo ano sem preocupações. Não deixem de ir. Para quem gosta de ler ou simplesmente curte novas informações a FLIP é o evento certo.
Apesar da fama, a Flip anda era uma incógnita para mim. Eu nem imagnava como seria o evento na prática, então adorei o post!
Adorei o post! Na próxima FLIP certamente estarei lá! E levarei meu pimpolho. Ah, e a foto da vending machine com a paisagem refletida no vidro foi show de bola!!!
Bjs
Eu tb adorei o conceito e a foto da vending machine! E como a Catarina, ano que vem, quero estar lá, com as minhas pimpolhas, para a Flipinha, e com vc tb! Vamos?
Bjs, adorei o post!
@viagempimpolhos
Muito boas as dicas para a FLIP!!!! Que chegue logo a proxima para curtimos!! (O item calcados e’ tudo. E qdo chove…? Desesperador… So tenis mesmo.) Bjs mil
AMO Paraty demais!!! Já estiuve lá 3 vezes e nao canso! Se pudesse ia todo final de semana. Agora minha meta é conhecer o FLIP e o festival da pinga, kkk, juntando 2 coisas que amo: livros e cachaça :o)
Bjoss